A vigilância das doenças exantemáticas: sarampo, rubéola e síndrome da rubéola congênita (SRC), é essencial para detectar casos e agir oportunamente, a fim de evitar o ressurgimento de surtos e a circulação desses vírus de forma endêmica no país.
A suspeita clínica desses agravos é de notificação compulsória e imediata (em até 24 horas) às autoridades de vigilância epidemiológica local (municipal), conforme Portaria do Ministério da Saúde que estabelece a Lista Nacional de Notificação Compulsória de Doenças, Agravos e Eventos de Saúde Pública nos serviços de saúde públicos e privados em todo o território nacional: Portaria de Consolidação MS nº 4, de 28 de setembro de 2017e atualizações Portaria GM/MS nº 6.734 de 18 de março de 2025.
AGENTE ETIOLÓGICO, PERÍODO DE INCUBAÇÃO E TRANSMISSIBILIDADE.
O sarampo é uma doença transmissível aguda, grave e extremamente contagiosa, causada por um RNA vírus, da famíliaParamyxoviridae, que apresenta tropismo pelas vias aéreas superiores, cujo reservatório e fonte de infecção é o homem.
A transmissão ocorre diretamente de pessoa para pessoa por meio de secreções nasofaríngeas expelidas ao tossir, espirrar, falar e, em menor importância, permanecer em ambientes contaminados.
É extremamente contagioso: infecta 9 de 10 suscetíveis após exposição ao vírus.
O período de incubação, da exposição até o surgimento dos primeiros sintomas, é, em média, de 10 dias (7 a 21 dias). A transmissibilidade ocorre 6 dias antes do início do exantema e dura até 4 dias após seu aparecimento.
É disseminada facilmente em áreas com alta densidade populacional e não existe predisposição quanto à raça, sexo e idade. A maior letalidade está associada às condições socioeconômicas desfavoráveis. O vírus do sarampo é altamente contagioso e na presença de pessoas não imunizadas, pode manter-se em níveis endêmicos, com comportamento sazonal, produzindo epidemias recorrentes.
APRESENTAÇÃO CLÍNICA
Caracteriza-se por febre alta, acima de 38,5°C, exantema maculopapular (manchas avermelhadas) de direção cefalocaudal, tosse seca (inicialmente), coriza, conjuntivite não purulenta e manchas de Koplik (pequenos pontos brancos na mucosa bucal, na altura do terceiro molar, antecedendo o exantema).
a) Todo indivíduo que apresentarfebre eexantema maculopapular morbiliforme de direção cefalocaudal,acompanhados deum ou mais dos seguintessinais e sintomas:tosse e/oucoriza e/ouconjuntivite, independentemente da idade e da situação vacinal
OU
b) Todo indivíduo que apresentarfebre eexantema e comhistória de viagem paralocais comcirculação do vírus do sarampo nos últimos 30 dias, ou de contato, no mesmo período, com alguém que viajou para local com circulação viral
OU
c) Todo indivíduo que apresentarfebre eexantema maculopapular e comresultado sorológicoIgM reagente
As taxas de complicações e óbitos causadas pelo sarampo são bastante variáveis, sendo maior em crianças menores de 5 anos, gestantes, pessoas imunocomprometidas, adultos maiores de 20 anos e pessoas desnutridas ou com deficiência de vitamina A. Dentre as complicações comuns estão otite média, diarreia, pneumonia e laringotraqueobronquite.
Febre por mais de três dias após o aparecimento do exantema é um sinal de alerta e pode indicar o aparecimento de complicações, como por exemplo infecções respiratórias, otites, doenças diarreicas e neurológicas. Frente a essas complicações a hospitalização pode ser necessária, em especial para crianças desnutridas e imunocomprometidos.
O diagnóstico laboratorial é realizado por meio de sorologia, utilizando-se a técnica de ensaio imunoenzimático (ELISA) para detecção de anticorpos IgM específicos, soroconversão ou aumento na titulação de anticorpos IgG.
O vírus precisa ser identificado pela técnica de reação em cadeia da polimerase(RT-PCR), em amostras de swab de orofaringe e nasofaringe além de urina.
O laboratório central de saúde pública - Lacen/RS realiza tanto a sorologia para diagnóstico laboratorial do sarampo quanto o diagnóstico diferencial.
AMOSTRA SORO
As amostras de sangue total (para obtenção do soro) devem ser coletadas entre o 1º e 30º dia a partir do início do exantema, considera-se a coleta como oportuna quando realizadaa partir do 5º dia a contar dadata de surgimento do exantema.
AMOSTRAS PARA IDENTIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO VIRAL
Amostra respiratória:swab combinadonaso/orofaringe. A coleta deve ocorrer, preferencialmente, entre o1º e 7º diaapós oinício doexantema e no máximo até o 14º dia.
Utilizar três (3) swabs: dois (2) para a nasofaringe (um em cada narina) e um (1) para a orofaringeque devem ser acondicionados no mesmo tubo( com solução salina ou meio de transporte viral - pode ser utilizado o mesmo kit distribuído pelo Lacen/RS para pesquisa de vírus respiratórios).
A coleta deve garantir a obtenção de uma quantidade adequada de células epiteliais, o que pode ser alcançado por meio da fricção ou rotação cuidadosa doswabsobre o epitélio da mucosa.
Amostra deurina: a coleta deve ocorrer, preferencialmente, entre o1º e o 7º dia após o início doexantema e, no máximo, até o 10º dia.
Devem ser coletados de 10 a 50 mL de urina em frasco estéril, desprezando-se o primeiro jato e utilizando-se o jato médio da micção.
O tratamento do sarampo é sintomático e de suporte, uma vez que não há antiviral específico para o vírus. O objetivo principal é aliviar os sintomas, prevenir complicações e monitorar sinais de agravamento. É recomendada a administração de palmitato de retinol ( Vitamina A), mediante avaliação clínica e/ ou nutricional por um profissional de saúde em todas as crianças com suspeita de sarampo, para redução da mortalidade e prevenção de complicações pela doença:
Indicação de vitamina A para crianças consideradas como casos suspeitos de sarampo, segundo faixa etária.
O sarampo é uma doença prevenível por vacinação. Seguem as indicações do calendário nacional de vacinação:
· Crianças de 6 a 11 meses e 29 dias de idade: Administrar dose zero (D0) em situação debloqueio vacinal seletivoe nos 35 municípios prioritários para Ação de intensificação da vacinação contra o Sarampo no Rs*
Observação: a Dose Zero (D0) não é válida para rotina. Aos 12 meses deve ser administrada a primeira dose (D1).
· Crianças de 12 meses a menores de cinco anos: primeira dose (D1) aos 12 meses com a tríplice viral e aos 15 meses (D2) com a tetraviral (ou tríplice viral + varicela monovalente),
· Pessoas de cinco a 29 anos: iniciar ou completar o esquema de duas doses da vacina tríplice viral, com intervalo mínimo de 30 dias entre elas,
· Pessoas de 30 a 59 anos: administrar uma dose de tríplice viral naquelas que não comprovarem vacinação anterior contra o sarampo,
· Trabalhadores da saúde devem receber ou comprovar duas doses de tríplice viral
* Municípios prioritários para Ação de Intensificação da vacinação contra o Sarampo no RS:
Municípios de fronteira com a Argentina: Derrubadas, Garruchos, Itaqui, Novo Machado, Pirapó, Porto Lucena, Porto Mauá, Porto Vera Cruz, Porto Xavier, Roque Gonzales, São Borja, São Nicolau, Tiradentes do Sul, Uruguaiana.
Municípios de fronteira com o Uruguai: Aceguá, Barra do Quaraí, Chuí, Jaguarão, Quaraí e Santana do Livramento
Cidades turísticas, universitárias e/ou de alto fluxo: Porto Alegre e Serra Gaúcha (Canela, Caxias do Sul, Gramado, Nova Petrópolis, São José dos Ausentes, Vacaria, Bento Gonçalves, Carlos Barbosa, Garibaldi, Veranópolis, Nova Prata, Guaporé, Farroupilha, Picada Café).
O último caso autóctone de sarampo no Rio Grande do Sul havia ocorrido em Caxias do Sul na segunda metade de 1999. De 2000 a 2009 não houve casos de sarampo no estado. No entanto, em 2010, houve 08 casos de sarampo pelo genótipo B3, que circulava na África. O caso índice (o primeiro caso) havia estado na Argentina em agosto onde ocorreram casos importados do continente africano.
Em 2011, assim como o Brasil, o estado sofreu novas importações, com 07 casos, desta vez sendo identificado o genótipo D4, que circulava predominantemente na Europa. Este continente estava sofrendo epidemia de sarampo nesse ano quando foram detectados mais de 30 mil casos, principalmente na França e na Espanha.
No período de 2011 a 2017 não houve registro de casos confirmados no estado.
Em 2018, 2019 e 2020 o RS registrou 185 casos confirmados de sarampo:
No período de 2021 a 2023 não foram confirmados casos de Sarampo no estado.
No ano de 2024, em janeiro, o Rs confirmou um caso importado de sarampo em criança de três anos, sem vacinação prévia, procedente de país asiático com surto vigente da doença e sem outros casos secundários associados.
Em abril de 2025 o estado confirmou novo caso importado da doença em Porto Alegre, em paciente de 50 anos com histórico vacinal desconhecido ( sem comprovação) e viagem recente aos Estados Unidos da América, país com surto de Sarampo vigente. Não houve cadeia de transmissão associada.
Coeficiente de incidência de sarampo e cobertura vacinal de crianças*, RS, 1973 a 2025
No RS, a vigilância do sarampo e vacinação possui dados disponíveis desde a década de 70.
Assim como o Brasil, as coberturas vacinais de crianças na década de 70 e 80 estiveram abaixo de 80%, com surtos de sarampo acontecendo sempre com alta letalidade. A partir da década de 90, o estado aderiu ao Plano de Eliminação proposto realizando uma campanha de vacinação em menores de 15 anos de idade em 1992, que atingiu mais de 100% da população alvo. Esta ação, associada à vacinação de crianças com nove meses de idade de rotina teve impacto na transmissão e diminuiu a circulação do vírus para zero nos anos seguintes.
Em 1997, entretanto, o estado sofreu uma epidemia que foi controlada apenas com a campanha de vacinação de crianças de 1 a 11 anos de idade utilizando a vacina Tríplice Viral, atingindo 99% da população alvo.
A Figura abaixo apresenta a série histórica (1973-2025) do coeficiente de incidência de sarampo e cobertura vacinal de crianças com 01 ano.
Série Histórica (1973-2025) Coeficiente de Incidência de sarampo e cobertura vacinal de crianças com 01 ano - RS
- Foto: Fonte: SINAN/SIPNI/DVE/CEVS/SES-RS.
Fonte: SINAN/SIPNI/DVE/CEVS/SES-RS.
*Até 2003 foi utilizada a vacina monovalente contra o sarampo indicada para crianças de 3 meses de idade. Em 1997 foi introduzida a vacina Tríplice Viral aos 15 meses de idade. Em 2003 a vacina monovalente não foi mais utilizada e a Tríplice Viral passou a ser indicada a partir de 01 ano de idade.
No Brasil, os últimos casos de sarampo haviam sido registrados no ano de 2015, em surtos ocorridos nos estados do Ceará, São Paulo e Roraima. Nos anos de 2016 e 2017 não houve confirmação de casos. Em setembro de 2016, o Brasil recebeu o certificado de eliminação da circulação do vírus do sarampo pela OPAS/OMS declarando a região das Américas livre da circulação do vírus.
No entanto, em 2018, com o grande fluxo migratório associado às baixas coberturas vacinais, o vírus voltou a circular, e em 2019, após um ano de circulação do vírus por mais de 12 meses com o mesmo genótipo (D8), o Brasil perdeu a certificação de “país livre do vírus do sarampo”.
Entre os anos de 2018 a 2022 foram confirmados 9.329, 21.704, 8.035, 670 e 41 casos de sarampo, respectivamente.
Em 2023, não houve registro de casos confirmados de sarampo no Brasil.
No ano de 2024, o país notificou cinco casos confirmados de sarampo, e destes, quatro foram importados.
Em Novembro de 2024 o Brasil recebeu a recertificação da eliminação da circulação endêmica do sarampo, concedida pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS).
No ano de 2025, entre as Semanas Epidemiológicas (SE) 1 e 38 (20/09), foram confirmados 34 casos de sarampo, distribuídos no Distrito Federal (n=1, importado), Rio de Janeiro (n=2, fonte de infecção não identificada), São Paulo (n=1, fonte de infecção não identificada), Rio Grande do Sul (n=1, importado EUA), Tocantins (n=25,surto associado à importação da Bolívia) , Maranhão (n=1, vinculado ao surto do Tocantins) e Mato Grosso (n=3,surto associado à importação da Bolívia).
Linha de tempo da eliminação do vírus do sarampo no Brasil e no RS.
A rubéola é uma doença transmissível aguda, contagiosa, causada por um RNA vírus da famíliaTogaviridae,sendo que o homem é reservatório e fonte de infecção. Sua importância epidemiológica está relacionada a risco de abortos, natimortos e malformações congênitas associadas à síndrome da rubéola congênita (SRC).
AGENTE ETIOLÓGICO, PERÍODO DE INCUBAÇÃO E TRANSMISSIBILIDADE
A transmissão ocorre diretamente de pessoa para pessoa por meio de secreções nasofaríngeas expelidas ao tossir, espirrar e falar. O período de incubação, da exposição até o surgimento dos primeiros sintomas, é, em média, de 17 dias (12 a 23 dias), e a transmissibilidade ocorre 07 dias antes a 07 dias após o inicio do exantema.
APRESENTAÇÃO CLÍNICA
Caracteriza-se por febre baixa, exantema maculopapular eritematoso ( manchas avermelhadas na pele), linfadenopatia generalizada (aumento dos gânglios), principalmente suboccipital, pós-auricular e cervical posterior (região do pescoço). Adolescentes e adultos podem apresentar poliartralgia, poliartrite (inflamação de várias articulações), conjuntivite, coriza e tosse.
a) Todo indivíduo que apresentarfebre eexantema maculopapular, acompanhado delinfoadenopatia Retroauricular e/ou occipital e/ou cervical, independentemente da idade e da situação vacinal.
OU
b) Todo indivíduo que apresentarfebre, acompanhada deexantema ou linfoadenopatia com as
características mencionadas acima e que tenha história de viagemparalocais com circulação do vírus da rubéola nos últimos 30 dias ou de contato, no mesmo período, com alguém que viajou para local com circulação viral.
OU
c) Todo indivíduo que apresentarfebre eexantema maculopapular e comresultado sorológicoIgM reagente para rubéola.
Há registros de encefalite pós-infecciosa com incidência aproximada de 1 para cada 6 mil casos de rubéola. Também há relatos de artrite e artralgias e manifestações hemorrágicas.
Além disso, a infecção por rubéola ocorrendo 12 dias antes da concepção e durante as primeiras 8 a 10 semanas de gestação muitas vezes resulta em aborto espontâneo, morte fetal ou infantil precoce, defeitos congênitos de múltiplos órgãos, conhecidos como Síndrome da Rubéola Congênita (SRC).
O diagnóstico laboratorial é realizado por meio de sorologia, utilizando-se a técnica de ensaio imunoenzimático (ELISA) para detecção de anticorpos IgM específicos, soroconversão ou aumento na titulação de anticorpos IgG.
O vírus também precisa ser identificado pela técnica de reação em cadeia da polimerase(RT-PCR), em amostras de swab de orofaringe e nasofaringe além de urina.
O laboratório central de saúde pública - Lacen/RS realiza tanto a sorologia para diagnóstico laboratorial da rubéola quanto o diagnóstico diferencial.
A rubéola é uma doença prevenível por vacinação. Seguem as indicações do calendário nacional de vacinação:
· Crianças de 12 meses a menores de cinco anos: primeira dose (D1) aos 12 meses com a tríplice viral e aos 15 meses (D2) com a tetraviral (ou tríplice viral + varicela monovalente),
· Pessoas de cinco a 29 anos: iniciar ou completar o esquema de duas doses da vacina tríplice viral, com intervalo mínimo de 30 dias entre elas,
· Pessoas de 30 a 59 anos: administrar uma dose de tríplice viral naquelas que não comprovarem vacinação anterior
· Trabalhadores da saúde devem receber ou comprovar duas doses de tríplice viral.
O Brasil recebeu em 2015 a certificação da eliminação da circulação do vírus da Rubéola e da Síndrome da Rubéola Congênita (SRC). Desde 2009 o Brasil não tem casos de Rubéola. Os últimos casos no RS ocorreram em 2008 e em 2009 foram registrados 08 casos de Síndrome da Rubéola Congênita.
O país mantém a certificação da eliminação do vírus da rubéola e da síndrome da rubéola congênita graças a uma vigilância ativa e robusta das Doenças Exantemáticas e às coberturas vacinais.
Linha de tempo da eliminação do vírus da rubéola no Brasil e no RS
Coeficiente de incidência de rubéola e cobertura vacinal de crianças*, RS, 1978 a 2025
A figura abaixo apresenta a série histórica (1978-2025) do coeficiente de incidência de rubéola e cobertura vacinal de crianças com 01 ano.
No estado, a vacinação contra a rubéola se iniciou em 1997, com uma campanha para crianças de 1 a 11 anos de idade, que alcançou cobertura vacinal acima de 99%, com enorme impacto sobre a incidência da doença:
Coeficiente de incidência de rubéola no RS de 1978 a 2025
- Foto: Fonte: SINAN/SIPNI/DVE/CEVS/SES-RS. *Em 1997 foi introduzida a vacina Tríplice Viral aos 15 meses de idade. Em 2003 a vacina Tríplice Viral passou a ser indicada a partir de 01 ano de idade.
Fonte: SINAN/SIPNI/DVE/CEVS/SES-RS.
*Em 1997 foi introduzida a vacina Tríplice Viral aos 15 meses de idade. Em 2003 a vacina Tríplice Viral passou a ser indicada a partir de 01 ano de idade.
A Síndrome da Rubéola Congênita (SRC) é uma doença que ocorre em bebês em desenvolvimento na fase intrauterina, que resulta da infecção materna pelo vírus da rubéola durante a gravidez.
Quando uma mulher é infectada com o vírus da rubéola no início da gravidez, ela tem 90% de chance de transmitir o vírus ao feto, o que pode causar abortos espontâneos, mortes fetais/natimortos, baixo peso ao nascer ou malformações congênitas graves (surdez, malformações cardíacas, microcefalia, retardo mental, lesões oculares e hepatoesplenomegalia entre outras).
Bebês com SRC podem transmitir o vírus da rubéola por um período prolongado (60% nos primeiros quatro meses de vida), pois eles liberam grandes quantidades de vírus das secreções corporais por até um ano ou mais e, portanto, podem transmitir a rubéola para os contactantes suscetíveis à doença.
Todo recém-nascido cuja mãe foi caso suspeito ou confirmado de rubéola.
• Todo recém-nascido cuja mãe foi contato de caso suspeito ou confirmado de rubéola durante a gestação.
• Toda criança, até 12 meses de idade, que apresente qualquer um dos seguintes sinais clínicos compatíveis com infecção congênita pelo vírus da rubéola: surdez, cardiopatia congênita, suspeita de deficiência auditiva, catarata (pupila branca), glaucoma (maior globo ocular) ou retinopatia pigmentar, independentemente da história materna.
Os testes sorológicos padronizados para confirmação ou descarte da SRC são as pesquisas de anticorpos anti- IgM e a pesquisa de anticorpos anti-IgG (soroconversão ou aumento de títulos), realizados através da metodologia ensaio Imunoenzimático (ELISA).
Recomenda-se que em todos os casos suspeitos de SRC, sejam coletadas amostras clínicas (soro, swab de oronasofaringe/preferencialmente, nasofaringe e urina) logo após o nascimento ou na presença de suspeita clínica.
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA
No Brasil, o Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SNVE) foi instituído em 1976. As doenças exantemáticas – sarampo e rubéola – e a Síndrome da Rubéola Congênita (SRC) fazem parte da Lista Nacional de Notificação Compulsória (LNNC) de doenças, agravos e eventos de saúde pública, sendo que essa notificação deve ocorrer de forma imediata após a identificação de um caso suspeito (até 24 horas).
No Rio Grande do Sul a vigilância da rubéola e do sarampo é realizada de forma integrada como vigilância de doenças exantemáticas, sendo ambas de notificação compulsória imediata em até 24 horas.
As mesmas estratégias de vacinação, vigilância de casos, medidas de controle e indicadores de qualidade são utilizadas para ambas. As definições de caso suspeito, confirmado e descartado de sarampo, rubéola e SRC, adotadas no Rio Grande do Sul, seguem especificações do Ministério da Saúde.
A partir da notificação de um caso suspeito de sarampo/rubéola a vigilância epidemiológica iniciará processo de investigação do caso, conforme:
Nota Informativa DVE/CEVS/SES-RS nº 09 Assunto: Cenário epidemiológico do sarampo e orientações para intensificação das ações de vacinação no Estado do Rio Grande do Sul.
Nota Informativa DVE/CEVS/SES-RS nº 05 Assunto: Recomendações para viajantes, setor hoteleiro e turismo no Rio Grande do Sul frente ao cenário epidemiológico do sarampo.
Nota Informativa nº 03 DVE/CEVS/SES-RS Assunto: Cenário epidemiológico do sarampo e orientações para intensificação das ações de vigilância no Estado do Rio Grande do Sul. Publicado em 31 de março de 2025.
Nota Técnica DPNI/SVSA/MS nº 49/2025 Assunto: Recomendações de dose zero de vacina contra o sarampo e de vacinação de pessoas com alergia à proteína do leite.
Nota Técnica Conjunta CGVDI/DPNI/SVSA/MS nº 344/2025Assunto: Atualização de orientações técnicas sobre a vigilância do sarampo, da rubéola e da Síndrome da Rubéola Congênita (SCR) e substituem os respectivos itens do Guia de Vigilância em Saúde, 6ª Edição Revisada, Brasília, 2024, a saber: definição de caso suspeito de sarampo e rubéola; alteração das nomenclaturas de busca ativa de casos suspeitos de sarampo e rubéola; coleta das amostras nos casos suspeitos de SRC, linha do tempo da rubéola, indicadores de qualidade da vigilância das doenças exantemáticas e da vigilância da SRC, boletim de notificação semanal.
Nota Técnica Conjunta CGVDI/DPNI/SVSA/MS nº 345/2025Assunto: atualizam as orientações técnicas sobre a vigilância do sarampo e da rubéola e substituem os seguintes itens do Guia de Vigilância em Saúde – 6ª edição Revisada, Brasília 2024: conduta frente a caso suspeito/confirmado de sarampo e vacinação. Ainda, orientam quanto as ações de rastreamento e monitoramento de contatos de casos de sarampo e acrescentam novos itens, como a linha do tempo do sarampo e busca ativa.
Nota Técnica Conjunta CGVDI/DPNI/SVSA/MS nº 368/2025Assunto: Alertar estados e municípios quanto à necessidade de reforçar a vigilância em saúde e ações baseadas em equidade para ocorrência de casos que apresentem sinais e sintomas sugestivos de sarampo em viajantes internacionais e domésticos, brasileiros ou não, com histórico de deslocamento para países com casos confirmados de sarampo, além de residentes no Brasil que tiveram contato com casos suspeitos ou confirmados em suas comunidades.
MEDIDAS DE PREVENÇÃO E CONTROLE
A vacina tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba) foi implantada no Rio Grande do Sul em 1997 e desde 2013 o Ministério da Saúde recomenda uma dose da vacina tríplice viral aos 12 meses e uma dose da vacina tetraviral aos 15 meses de idade. No SUS a vacina é disponibilizada para pessoas de 01 a 59 anos de idade. Considera-se vacinada a pessoa que comprovar duas doses da vacina entre 01 e 29 anos e uma dose de 30 a 59 anos.
A principal medida de controle, além do isolamento do caso suspeito é a realização de vacinação de bloqueio em conjunto com a equipe de imunizações. Esta ação é preconizada a ser realizada no prazo máximo de até 72horas após a notificação do caso, a fim de interromper a cadeia de transmissão e, consequentemente, eliminar os suscetíveis no menor tempo possível.
O bloqueio vacinal é seletivo e a vacina tríplice viral é administrada conforme a situação vacinal dos contatos do caso, como descrito a seguir:
• contatos a partir dos 6 meses até 11 meses e 29 dias devem receber uma dose da vacina tríplice viral. Esta dose não será válida para a rotina de vacinação, devendo-se agendar a dose 1 de tríplice para os 12 meses de idade e a dose de tetraviral para os 15 meses de idade;
• contatos a partir dos 12 meses até 59 anos de idade devem ser vacinados conforme as indicações do Calendário Nacional de Vacinação;
• contatos acima de 60 anos que não comprovarem o recebimento de nenhuma dose de vacina com componente rubéola devem receber uma dose de vacina tríplice viral.
OBS: Não vacinar casos suspeitos de sarampo no período de coleta de amostras de sangue (soro) uma vez que a administração da vacina pode interferir no resultado laboratorial.
A melhor medida de proteção para doenças preveníveis por vacinação é manter atualizado o esquema vacinal preconizado para a idade.
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