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Serpentes

cobras

No Rio Grande do Sul existem duas famílias de serpentes de importância médica: Viperidae e Elapidae. A família Viperidae compreende as espécies Bothrops sp., também conhecidas como “jararacas”, e Crotalus sp., representada pela cascavel. A família Elapidae agrupa as serpentes da espécie Micrurus sp., as corais-verdadeiras.

Os acidentes botrópicos são aqueles causados pelas serpentes do gênero Bothrops sp., sendo as mais comuns a jararaca (Bothrops jararaca), a cruzeira (Bothrops alternatus) e a jararaca-pintada (Bothrops pubescens). Eventualmente, ocorrem acidentes com outras duas espécies mais raras, a Bothrops diporus e a Bothrops cotiara.

A jararaca-pintada, Bothrops pubescens, é a serpente de maior distribuição no estado e a espécie mais reativa de todas as descritas, sendo a responsável pelo maior número de acidentes. Em seguida estão: B. jararaca, B. alternatus e B. diporus. O envolvimento da B. cotiara em acidentes é raro, visto que são encontrados poucos exemplares desta serpente na natureza.

Observa-se a maior distribuição dos acidentes nos meses de calor e grande redução nos meses de inverno. A demanda por soro antibotrópico acompanha essas tendências. A variação sazonal ocorre pelas características das serpentes, que, durante o inverno, permanecem abrigadas do frio. Quando inicia a primavera, os animais buscam o calor, alimentos e parceiros reprodutivos. Conforme transitam mais pelo ambiente, as serpentes eventualmente encontram o ser humano e podem se envolver em acidentes.

C durissus
Os acidentes crotálicos são aqueles causados pela cascavel (Crotalus durissus). As cascavéis são serpentes robustas, podendo medir até 1,5 m de comprimento. Vivem em locais altos, montanhosos, pedregosos, de campo entremeado com mato e são resistentes aos invernos rigorosos. Os acidentes crotálicos são incomuns justamente porque estas serpentes vivem em locais de difícil acesso. Possuem o crepitáculo (chocalho) de anéis córneos na ponta da cauda que, ao se movimentar durante momentos estressantes, emite o som do choque dos anéis. Dificilmente ataca, e anuncia a sua presença através do som do chocalho. Praticam a caça por espreita - permanecem imóveis no solo esperando a passagem da presa (roedor).

Micrurus altirostris   coral verdadeira 2
No Rio Grande do Sul, os acientes elapídicos são causados, principalmente, pela Micrurus altirostris, uma das várias espécies de corais-verdadeiras encontradas no Brasil, e que está distribuída por todo o estado. Dentre as serpentes peçonhentas já descritas, a coral-verdadeira é aquela que tem o potencial de causar os acidentes de maior gravidade devido à ação neurotóxica do seu veneno, que pode levar à parada respiratória. As corais-verdadeiras possuem hábitos fossoriais, vivendo em tocas ou buracos embaixo do solo nas matas ou bordas de matas. São animais de, no máximo, 80 cm e não possuem presas especializadas como as Viperidaes, mas pequenos dentes, então precisam morder e segurar a presa para inocular totalmente o veneno. Assim, os acidentes graves são menos comuns pela menor possibilidade de liberação completa da peçonha pela serpente. Alimentam-se de outras serpentes menores.

Centro Estadual de Vigilância em Saúde