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Hantavirose

A hantavirose é causada por um vírus RNA, pertencente à família Bunyaviridae, do gênero Hantavirus. Cada vírus está associado a uma espécie específica de rato silvestre hospedeiro. O homem, a partir do contato com fezes, urina ou saliva de rato silvestre, pode se infectar com o patógeno e apresentar a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus.

Nos ratos silvestres, a infecção pelo Hantavirus não é letal e pode levá-los ao estado de reservatório por longos períodos. Por se tratar de uma doença transmitida por animais silvestres, os casos humanos estão relacionados a ambientes rurais ou periurbanos.

Principais reservatórios animais

Os ratos silvestres são caracterizados por viverem em colônias no ambiente natural, afastados do contato direto com o homem. No entanto, devido às modificações ambientais provocadas pelos processos de urbanização e pela transformação de ecossistemas naturais em áreas agrícolas, esses roedores acabam expandindo suas colônias para regiões próximas às plantações e às instalações do peridomicílio, como tulhas e silos, além de adentrarem o próprio domicílio em busca de alimento. Essa expansão aumenta significativamente o contato entre o homem e os roedores silvestres. Esses animais são frequentemente encontrados em áreas de interface entre o ambiente silvestre, o rural e o peridomicílio (plantações), desempenhando papel epidemiológico relevante nos casos de hantavirose.

A seguir, estão apresentadas algumas características biológicas de gêneros de ratos silvestres descritos no Rio Grande do Sul que pertencem à ordem Rodentia, Família Crietidae e subfamília Sigmodontinae: Akodon spp., Calomys spp., Necromys lasiurus e Oligoryzomys spp.

Roedor pequeno de pelagem marrom-escura, com focinho rosado e orelhas arredondadas, entre folhas secas no solo da floresta.
Akodon sp. - Foto: Guia dos Roedores do Brasil, 2008, OPAS, MS
Akodon spp.

As espécies de Akodon têm hábito terrestre. O padrão de atividades, de uma maneira geral, é crepuscular-noturno. Comprimento da cauda pouco menor do que o do corpo. Coloração do dorso variando do castanho-claro ao castanho-escuro, sem limite definido com a coloração do ventre, que é amarelo-acinzentada ou branco-acinzentada, com as bases dos pelos acinzentadas. Orelhas grandes, pouco pilosas. Superfície superior das patas clara. Cauda pouco pilosa e com escamas epidérmicas aparentes.

Roedor pequeno com pelagem marrom-clara e barriga esbranquiçada, orelhas arredondadas e olhos pretos, sobre folhas secas e próximo a uma folha verde.
Calomys sp. - Foto: Guia dos Roedores do Brasil, 2008, OPAS, MS
Calomys sp.

As espécies de Calomys têm hábitos terrestres e noturnos. Possuem tamanho pequeno, cauda menor do que o comprimento do corpo. Coloração do dorso variando de castanho- acinzentada a castanho-amarelada, as laterais mais claras, apresentando limite bem definido com o ventre, que é esbranquiçado, com a base dos pelos cinza. Possui tufos de pelos brancos característicos na parte basal atrás das orelhas, que são curtas. Cauda fina, escura na parte dorsal e clara na parte ventral.

Roedor de porte pequeno a médio, com pelagem marrom-acinzentada e barriga clara, orelhas arredondadas e olhos escuros, apoiado sobre galhos e folhas secas no solo.
Necromys sp. - Foto: Guia dos Roedores do Brasil, 2008, OPAS, MS
Necromys sp.

As espécies de Necromys têm hábitos terrestres. Possuem tamanho pequeno a médio. O comprimento da cauda é menor do que o do corpo com coloração mais escura na parte superior, moderadamente pilosa, mas com escamas aparentes, próximo à base da cauda. A pelagem do dorso varia de castanho-acinzentada a castanho-amarelada, com limite pouco definido com o ventre, que é branco acinzentado ou amarelo-acinzentado. Um anel periocular mais claro, que pode ser muito tênue em alguns espécimes, está presente em volta de cada olho. As orelhas são pouco pilosas, exceto na base, com pelos da mesma cor do dorso. Possui as garras parcialmente recobertas por pelos ungueais claros.

Roedor pequeno com pelagem marrom-dourada, olhos pretos brilhantes e orelhas arredondadas, sobre folhas secas e próximo a uma superfície verde, com cauda longa e fina estendida para trás.
Oligoryzomys sp. - Foto: Guia dos Roedores do Brasil, 2008, OPAS, MS
Oligoryzomys sp.

As espécies de Oligoryzomys têm tamanho pequeno, comprimento da cauda maior que o do corpo. Coloração do dorso variando de castanho-avermelhada a amarelada, com as laterais mais claras, com limite definido, ou pouco definido com a coloração do ventre, que é esbranquiçada ou amarelada. Possuem olhos grandes. Patas longas e finas cobertas de pequenos pelos claros. Cauda fina e pouco pilosa. Quatro pares de mamas, peitoral, pós-axial, abdominal e inguinal.

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